No trabalho tenho lidado com raparigas que, embora tenham a mesma idade que eu - e até mais novas - apresentam vidas completamente distintas. É impossível não comparar, tento colocar-me no lugar delas e parece tão difícil, quase surreal.. Jovens com menos de 25 anos, que foram mães adolescentes, com o 6º ano de escolaridade (ou nem isso), saltando de emprego em emprego que mal dá para sobreviver. No final desses dias reflicto e sinto-me afortunada, uma verdadeira sortuda pelo meio em que cresci, por me terem sido transmitidos certos valores, por ter aprendido e definido bem prioridades. Dou voltas à minha cabeça e dou por mim a pensar que, se a vida o quisesse, eu podia estar daquele lado, podia ser eu naquela situação. E mesmo não tendo muito (ou nada), sou uma felizarda!
sábado, 27 de dezembro de 2014
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
Balanço
Embora ainda seja cedo para fazer um veredicto, não gosto do meu trabalho. Não que seja ingrata com a oportunidade, mas quando passamos anos a gostar e desejar uma determinada área, é muito difícil de digerir vermo-nos noutra, completamente diferente e da qual nada percebemos.
A distância entre a minha casa e o trânsito que apanho até lá chegar não abona a meu favor. A saga pela procura de alojamento já começou mas não está fácil. Além de que o horário não é muito estável.. quer dizer, há hora para estar no trabalho, mas não para sair.
Espero que daqui a um mês a minha percepção seja muito diferente, porque por enquanto sinto-me desorientada.
domingo, 16 de novembro de 2014
Quando se espera que as coisas nos caiam ao colo...
Volta e meio pelas minhas navegações nas páginas de ofertas de emprego, quando via alguma que encaixasse no perfil de algum conhecido, comunicava-lhe. Normalmente as pessoas ficam agradecidas, mas há sempre alguém que tenha uma reacção inovadora. Para já, nem se dão ao trabalho de ler a oferta em condições e colocam logo entraves. Lá vou eu, leio o texto e rectifico (coisa que nem me cabe a mim, mas à pessoa que supostamente está interessada). Também há que se queixe que o trabalho é fora da ilha e ficam logo angustiados com a possibilidade de uma entrevista.
Pois não sei... durante estes meses de desemprego respondi a tudo quanto era anúncio de emprego: para a área ou não, na ilha ou fora dela, até para fora do país. Enfim, estava sempre em cima do acontecimento. Mas, de facto, quem quer que apareça um trabalho para o qual estudou, na sua área de residência, com um salário acima dos 1000 euros e com todas as regalias imagináveis, bem pode esperar e ganhar raízes...
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
Depois do desespero...
... eis que finalmente consegui emprego! Depois de passar por cenas surreais, de meses monótonos em casa, de vontade de desistir, chegou a minha vez, a minha oportunidade.
Estou feliz que não caibo em mim. Parte se deve a uma certa incredulidade. Saiu-me a sorte grande e desta vez fui eu a premiada!
O trabalho, embora esteja relacionado com a minha área de formação, não é a minha paixão. Mas espero aprender rápido e demonstrar que consigo ser empenhada e boa profissional em qualquer lugar que ficar colocada.
Obrigada Pai Natal, por atenderes às minhas preces e por me dares o meu presente adiantado :)
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
Padrões estéticos
Na versão anterior do curriculum vitae não tinha fotografia. Existem muitas opiniões contra e a favor deste detalhe. Pessoalmente, acho que, salvo as profissões inteiramente ligadas à imagem, os conhecimentos e experiência profissional pesam mais que a aparência.
Actualmente tenho uma foto tipo passe no CV. É uma imagem simples, de cabelo solto, sem maquilhagens (que não uso) e um ligeiro sorriso. Tendo em conta o quanto detesto tirar este tipo de fotos, até achava que estava muito bem. Isto até Sábado, dia em que fui a uma entrevista e, mais uma vez, fiquei impressionada com as coisas que se passam no mercado de trabalho.
O cargo era para recepcionista e quando lá cheguei havia já uma fila. Algumas das mulheres eram bastante vistosas: maquilhagem e sapatos vertiginosamente altos. Como não me encaixo neste estilo, fui vestida à maneira que me reflecte, calças de ganga, camisa, um lenço ao pescoço e um casaco de malha.
Quando chegou a minha vez, fiquei atónita quando me disseram que estiveram para não me convocarem devido à minha fotografia. Disseram ainda que tinha uma melhor imagem pessoalmente do que na fotografia e deram-me dicas (que esqueci logo) sobre maquilhagem para realçar a cara. Pois bem, uma fotografia tipo passe revela muito pouca coisa sobre o estilo de uma pessoa. Atenção que do pescoço para baixo não se vê nada, até poderia estar nua que ninguém dava por isso! Concordo que devamos manter uma imagem cuidada, agradável aos olhos dos outros, mas eu fico-me pelo mais simples. Afinal, a imagem que eles pretendiam - uma boneca por detrás de um balcão - pode não ser bem encarada por outras entidades e eu prefiro não alterar o meu visual e sentir-me desconfortável para satisfazer ninguém.
sexta-feira, 7 de novembro de 2014
Sobre a entrevista de ontem
Cheguei à sala onde decorreria a entrevista e o big boss estava sentado à mesa, enquanto comia uma maçã. As perguntas e comentários eram feitos entre dentadas à maçã - tudo bem que era final do dia, que o senhor devia ter fome e bla bla bla, mas era mesmo necessário?
Como o cargo era para um supermercado da minha zona (onde todos se conhecem), não podia ocultar que sou licenciada. E, mais uma vez, este pormenor ditou o resto da entrevista. A pergunta central, e que foi feita várias vezes, foi "consegue ver-se, enquanto licenciada, na secção de peixaria ou no talho, a atender os clientes, de botas de água, touca e bata, tal como qualquer outro funcionário?".
Sinceramente, apeteceu-me mandar aquele senhor, o Instituto de Emprego que me encaminhou para aquela vaga (porque supostamente está de acordo com o meu perfil profissional) e ao mundo em geral à p*** que os p****!
É claro que não me vejo e não quero fazer uma coisa dessas! Até quão baixo tenho de descer, quanta dignidade devo manter e a que expectativas devo renunciar para conseguir trabalho neste país? :(
quinta-feira, 6 de novembro de 2014
Definição de subjectividade
Ontem fui convocada por carta registada para comparecer hoje às 10 horas da manhã no Instituto de Emprego. A carta não tinha margem para dúvidas, devia lá estar ou submetia-me a uma séries de "ameaças" como a minha inscrição ficar anulada e suspensa nos próximos três meses.
De maneira que fui onde era solicitada, fiz 60km ida e volta. E para quê? Supostamente iriam apresentar-me uma oferta de emprego que se enquadrava no meu perfil profissional. Estava curiosa e céptica. E afinal, sabem o que me esperava? Qual era a tão desejada oferta que valeria a minha deslocação? Repositora num supermercado.
Não desvalorizando a oferta de trabalho, digam o que quiserem (e os técnicos daquele Instituto deveriam ganhar vergonha!), esta não é nem de longe uma proposta que se adeqúe a uma pessoa licenciada, com milhares de euros investidos em formação.
P.S: já me candidatei a ofertas semelhantes, tanto a cafés como a lojas de roupa, mas por minha iniciativa e estava ciente de que não era aquilo que desejava fazer e que a função estava muito aquém das minhas capacidades.
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
O descalabro do nosso país
Hoje, em conversa de café, comentava as notícias do dia. A certa altura falava sobre a reforma do Ricardo Salgado, ex-presidente do BES. Já não me lembrava ao certo da quantia, sabia que começava por um 9 e pensei que talvez fossem 90 mil euros por ano. Se para mim, que sou uma simples pessoa me parece um montante considerável, achava que estava dentro dos padrões para uma pessoa importante. Mas, qual não foi o meu espanto ao chegar à casa e confirmar que afinal se tratavam de 900 mil euros por ano??
O que se faz a tanto dinheiro anualmente? Eu nem consigo conceber o que este tipo terá recebido ao final de uns cinco anos. Mas isto sou eu que viveria o resto da minha vida com este total...
Algo que não podia continuar a ser adiado
Ontem dei o primeiro passo efectivo para uma possível vida fora do país. Foram 5 candidaturas logo de uma vez (sou mesmo assim, vou adiando até não ser mais possível, mas depois ninguém me pára). Espero que este seja o meu presente de Natal :)
terça-feira, 28 de outubro de 2014
Haverá coisa mais irritante...? II
... do que as pessoas ficarem especadas ao pé das passadeiras e pararmos o carro para as deixarmos passar e afinal só estavam ali porque sim e não porque quisessem atravessar a rua?
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
Haverá coisa mais irritante...?
... do que receber uma chama e a pessoa do outro lado perguntar quem fala?
terça-feira, 21 de outubro de 2014
Uns com tanto e outros com tão pouco
Quando a minha irmã acabou o secundário decidiu emigrar. Ontem falava com ela e contou que mudou, outra vez, de trabalho. É secretária de gerência numa empresa de rent-a-car. Ganha mais do que no trabalho anterior, tem um bom horário e para além do ordenado base, ganha comissão (valor este que na semana passada chegou quase ao salário mínimo nacional...).
E vejo-me a mim, licenciada com uma pós-graduação a concluir, recebendo o subsídio social de desemprego e que vê as suas candidaturas para um ESTÁGIO serem recusadas.
domingo, 19 de outubro de 2014
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
Para a minha auto-estima, quando a minha língua ficar enrolada ao tentar falar inglês
Tal como eles fazem uma triste figura ao pronunciar algumas palavras em inglês, às vezes fico com a língua enrolada. Em contrapartida, o meu espanhol é perfeito.
De caras com a realidade
Ao candidatar-me a um emprego, disse inúmeras vezes que o lugar já tinha sido atribuído a um afilhado/amigo/sobrinho (o ao raio que o parta) e que aquilo não passava de uma fantochada. É normal dizermos este e outro tipo de coisas, não é que se tenha absoluta certeza mas parte mais da nossa intuição. Como é uma suposição não dói, é a nossa imaginação a viajar sem limites.
Porém, esta semana fiz 56 km (ida e volta) para entregar uma candidatura a um concurso público. O meu primeiro pensamento foi se valeria a pena o trajecto e a tinta gasta na impressão do currículo e nas quase duas dezenas de certificados. Por fim, decidi que sim, "quem sabe...". Afinal, se não responder a candidaturas, não me posso queixar que não aparece nada.
Nesse mesmo dia - a certeza - o concurso era para regularizar a situação de pessoas que estavam a contrato na entidade. E pergunto-me, para onde vai o meu currículo e o das outras pessoas? Será que alguém lhes pega sequer? O responsável não fica com remorsos por ver ali as expectativas de tantas pessoas que mereciam um processo de recrutamento transparente e justo? Será que no meio dessa fantochada não haveria pessoas tão ou mais qualificadas e quem mereciam uma oportunidade?
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
É coisa para pôr-me a trepar pelas paredes...
... encontrar ofertas de emprego ou receber respostas a candidaturas com erros ortográficos.
terça-feira, 30 de setembro de 2014
Definição de frustração
Saber da abertura de um concurso público para a minha área (!!!), mas, ao examinar os requisitos de admissão, reparar que o mesmo se destina a funcionários que JÁ tenham uma "relação jurídica de emprego público de tempo indeterminado".
É isto mesmo, com tanto desemprego neste país e abrem-se concursos para aqueles que já são funcionários públicos.
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
O que eu trouxe para casa por 5,5€
Depois de encontrar autênticas pechinchas nas feiras de velharias, torna-se ainda mais difícil gastar seja o que for numa livraria.
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
Pimenta no ** dos outros é refresco
Haverá coisa mais detestável que vermos a nossa vida e opções julgadas por terceiros?
Como encarar um funcionário público (com um emprego seguro e bem pago) que nos diz lá do alto do seu pedestal que aos 23 anos ainda é cedo para começar a vida, que há tempo para a realização pessoal e financeira e, como tal, a oportunidade de passar a ser explorada a recibos verdes por uma entidade pública e ganhar menos de metade do que qualquer técnico superior é uma oportunidade a não perder. Afinal, segundo a mesma pessoa, pode ser que daqui a 5 ou 6 anos abra concurso e eu já esteja dentro do sistema.
A sério? A crise justifica mesmo este consentimento incondicional? Perdermos qualquer ambição e levarmos as mãos ao céu porque esta é a última gota de água no deserto? Perdermos toda a confiança que tenhamos em nós próprios e nas nossas capacidades quando vemos que aos olhos dos outros elas valem tão pouco?
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
A devoradora de séries
Nestes 7 meses de desemprego tenho buscado desenfreadamente coisas para manter-me ocupada. Além da pós-graduação, as lides da casa, a praia, as explicações que por enquanto estou a dar e as leituras, ainda sobra tempo.
Por isso, gostando de séries como gosto, dediquei-me a ver algumas que já tinham acabado ou que estão em pausa:
Sete palmos de terra
Breaking bad
Mad men
A grande questão que se põe agora: qual a próxima? Orange is a new black? Revenge? O mentalista?
Paradoxo: é necessário dinheiro para conseguir emprego
Embora possa parecer contraditório, uma pessoa que se encontre desempregada precisa de gastar algum dinheiro para deixar de o ser. Ora vejamos, há uns tempos atrás abriu um concurso por estes lados que requeria um atestado médico a confirmar a robustez física dos candidatos. Como o concurso estaria aberto muitos poucos dias, não consegui marcar consulta no Centro de Saúde (que surpresa...!), pelo que nada me restou senão ir ao privado e despedir-me de 55€. Pensei que a oportunidade justificaria o dinheiro gasto, mas nem sequer fui chamada a uma entrevista.
Abriu novamente um concurso na minha área (uau!), mas, surpresa das surpresas, solicita que, além da licenciatura pretendida, os candidatos tenham um curso específico que é coisa para custar à volta de 2400€.
Para além destas coisas, há sempre as deslocações para entregar currículos ou para ir às entrevistas, a tinta para imprimir o currículo ou até as despesas com o correio quando é impossível entregar em mão.
Não me arrependo do que tenho feito nestes últimos 7 meses para conseguir trabalho, mas se contabilizasse o dinheiro que gastei até agora nesta tarefa herculeana, de certeza ficaria de rastos e sem vontade de continuar.
sábado, 2 de agosto de 2014
Que mais acrescentar?
"- Pois é, a maior parte dos desempregados são jovens...
- É estranho, não é?, disse o seu interlocutor. Vendo bem, nós, os jovens, temos muito mais sangue na guelra e em geral até somos menos exigentes quanto aos salários. Seria normal que os empresários nos preferissem, não acha?
O historiador abanou a cabeça.
- Tudo isso é verdade, admitiu. Mas o problema, e sobretudo o vosso problema, é que a lei protege quem tem trabalho. É dificílimo um empresário despedir um funcionário dos quadros, de maneira que ninguém quer criar mais empregos. Para quê? Para depois não conseguir reduzir o número de funcionários se o negócio correr mal? Isso criou um desequilíbrio no mercado de emprego, é evidente. Vocês, os jovens, é que pagam a factura. Quem tem emprego, isto é, os mais velhos, só o perde se a empresa for à falência. Quem tem trabalho precário ou não tem emprego, ou seja, os mais novos, não consegue ser contratado porque os empresários têm medo de, se as coisas correrem mal, nunca mais os conseguirem despedir. Conclusão? Os jovens é que se tramam".
(José Rodrigues dos Santos in A mão do diabo)
segunda-feira, 28 de julho de 2014
Afinal, o que é que as mulheres querem?
Eu, que sou mulher, tenho sérias dificuldades em perceber o meu género, por isso até me sinto solidária com o sexo oposto. É verdade que qualquer mulher quer ao seu lado um homem que a ache bonita e que lhe diga isso, que seja sensível e compreensivo com as suas emoções. Mas, ao mesmo tempo, pode chegar a ser tão complicado equilibrar estas qualidades que rapidamente se tornam num turn off. Ora, falo por mim quando digo que não há nada pior do que um homem dizer-me, logo nas primeiras conversas, o quão linda sou, ser meloso e fazer o pino para combinar um encontro. A sério, não é preciso tanto. Também não é preciso agir com indiferença e assumir que nos tem na palma da mão. Na verdade, explicar isto é uma tarefa ingrata, porque as palavras não expressam a forma como me faz sentir.
quarta-feira, 23 de julho de 2014
Quando se vê as coisas nesta perspectiva: vale a pena?
Os meus últimos 17 anos de vida têm sido passados a estudar: primária, básico, secundário, licenciatura e pós-graduação. A pouco e pouco vou completando os passos que tenho à minha frente. O dinheiro, ou das bolsas de estudo ou do meu trabalho, tem sido gasto, na grande maioria, desta forma. O meu carro tem 14 anos (!!!), o meu telemóvel já tem mais de três, viagens e férias nem vê-las, sair da casa da mãe não é tão cedo.
Ora, conheço pessoas que se ficaram pelo 12º ano e, com a minha idade, já fizeram e viram muito mais que eu. É verdade que se esfalfam a trabalhar. Mas eu tenho feito as coisas como deve ser, aposto na minha formação com a esperança de o investimento ser retornado, mas será que vale a pena? Cada dia aumenta a minha desilusão e desespero, parece que estou à procura de algo que não existe.
Pergunto, estes anos têm valido a pena? Esta dedicação a 110% aos estudos compensa?
quarta-feira, 16 de julho de 2014
Um dia sem-tempo
Somos prisioneiros do tempo, dos relógios, das horas e dos minutos que passam. Confesso que me incluo neste grupo, relógio e/ou telemóvel são indispensáveis no dia-a-dia para orientar-me. Contudo, o dia de hoje foi o oposto e senti-me liberta.
Fiquei sem bateria no telemóvel logo de manhã e, na pressa, esqueci-me do relógio. Até aqui tudo bem, mas não sabia como seria até ao final do dia. De manhã iniciei as minhas horas de estágio ao assistir a umas reuniões. Estava marcada para as 10 horas e só presenciaria uma, pelo menos era o que tinha ficado previsto. Mas saiu tudo ao contrário, a primeira sessão não se deu, pelo que a seguinte começou passada uma hora e acabei por assistir às restantes dessa manhã. Resultado: eram já 15 horas quando saí. Apenas com o pequeno-almoço no estômago, estava faminta pelo que vim directa para casa.
Depois, já com a barriga aconchegada e prevendo o aborrecimento da tarde, decidi ir à praia apanhar banhos de sol. A história repetiu-se, sem relógio nem telemóvel. Ainda estive para perguntar às pessoas do lado pelas horas, mas depois deixei que fosse o meu instinto a dizer-me quando deveria voltar. E funcionou perfeitamente.
Entretanto é claro que o telemóvel tinha umas quantas mensagens e avisos de chamadas, mas foi bom ter um dia em que as horas e os minutos não ditaram o meu ritmo.
Entretanto é claro que o telemóvel tinha umas quantas mensagens e avisos de chamadas, mas foi bom ter um dia em que as horas e os minutos não ditaram o meu ritmo.
segunda-feira, 14 de julho de 2014
A crise, essa malvada
A contrariar a pasmaceira do sítio onde vivo, agora no Verão um hotel costuma organizar uma série de concertos. O ambiente, com vista para o mar, é para lá de espectacular; o cartaz é bom, com nomes estrangeiros; e, o melhor é ser à borlix.
A iniciativa está a decorrer este ano também e lá vou eu toda entusiasmada fazer a reserva. Qual não é a minha surpresa quando, no e-mail de confirmação, sou subtilmente avisada de que há consumo mínimo no bar de 5€?
Pois parecendo que o preço é uma ninharia, fiquei desmotivada e a pensar seriamente se vou ou não.
Como o tempo demora a passar...
Estou desempregada há seis meses (só? Tem-me parecido uma eternidade). Faltam cinco para concluir a pós-graduação e para ficar, finalmente, liberta e dar um rumo à minha vida. Será que posso dizer que já estou desesperada? Que este arrastar do tempo me deixa louca? Quanto mais poderei aguentar sem afectar a minha sanidade mental?
quinta-feira, 10 de julho de 2014
A ternura das crianças
Levar uma criança à praia implica trocar uma tarde tranquila de banhos de sol enquanto se lê um livro por umas horas de atenção a 100% atrás da criatura, seja na água ou enquanto brinca na areia. Mesmo assim, ontem levei meu primo à praia. Embora ele se entretenha sozinho, estavam lá muitos miúdos, pelo que não demorou até ele arranjar companhia. Prestava especial atenção quando ele se aproximava de um deles, queria ver era a abordagem, como se desenrolava a conversa. E é de uma ternura inexplicável. Depois de uns minutos de se terem conhecido, a cumplicidade é evidente. Daí a um bocado chegou à minha beira a dizer, todo entusiasmado: "Prima, fiz um amigo, é o Antelmo".
Fiquei com uma ponta de inveja de a vida parecer e ser fácil. De bastar uns momentos para "fazer um amigo", de forma sincera e sem segundas intenções.
terça-feira, 8 de julho de 2014
Anúncios manhosos II
Há uns tempos atrás respondi a uma oferta para Administrativa. O anúncio parecia normal, descrevia as tarefas a desempenhar e o horário de trabalho. Até aqui não achei nada de estranho. Isso até, nesse mesmo dia, ter recebido um e-mail com uma série de ficheiros, inclusive o "contrato". Estava tudo em inglês, o que me surpreendeu de imediato. Entretanto percebi que se tratava afinal de um desses esquemas duvidosos que envolvem dinheiro: segundo as informações, receberia milhares de euros por semana, faria transferências da minha conta bancária e tantas outras coisas que não fixei depois de saber de que se tratava.
Mais uma desilusão, mais um suposto recrutador que brinca connosco, mas isso é o de menos. Nisto tudo fico a pensar no tipo de anúncios que eu, tal como outras milhares de pessoas respondem, mesmo sem saber se se trata de algo real... Como controlar isto? Como saber que os nossos dados não vão ser utilizados para outros fins? Haverá outra alternativa?
segunda-feira, 7 de julho de 2014
Os impactos do desemprego
Estar desempregado/a muda muita coisa na nossa vida. À falta de uma rotina e ocupação, acresce a escassez de dinheiro. No entanto, as propinas têm de ser pagas, o carro continua a precisar de combustível, convém que o telemóvel tenha saldo e há ainda a comida. Desta forma o orçamento mensal desaparece num ápice. No entanto, o mundo à nossa volta não pára: os amigos estão de férias, querem ir ao cinema e jantar fora frequentemente, ritmo este que não posso acompanhar. Ora, perante isto não tenho outra opção senão recusar os convites que gentilmente me são feitos. Normalmente não discuto dinheiro com ninguém nem me queixo da situação, mas depois de ter sido "chamada a atenção" após rejeitar as últimas saídas, saiu-me tudo cá para fora.
Isto para dizer que o desemprego vai mais além da falta de trabalho, corta-nos as asas em tudo o resto. A nível psicológico e de auto-estima fica-se na lama, a sequência dos dias é uma monotonia e não há saídas com os amigos que valham porque não há dinheiro para isso.
segunda-feira, 30 de junho de 2014
Dúvidas existenciais
O meu sonho é seguir para mestrado. Hoje fui invadida por uma vontade sobrenatural de me atirar de cabeça, arriscar inscrever-me para este ano, atravessar este oceano e rumar para Lisboa, mesmo sem trabalho à vista. Mas depois o meu lado racional dá de si e diz-me que isto não pode ser assim, que estou a meio de uma pós-graduação que acaba no final do ano (o que me faria perder dois meses do 1º semestre).
E vejo que mais uma vez tenho de adiar este projecto. Tento encher-me de esperanças e interiorizar que será para o próximo ano. Mas tenho consciência de que a cada ano fica mais difícil concretizar este sonho. Afinal se tudo se mantém assim não terei mais remédio que sair do país, conseguir um emprego da m**** para o qual não estudei e serei infeliz.
segunda-feira, 23 de junho de 2014
Presentes em tempos de crise
Um dos meus amigos fez anos e convidou o grupo para um jantar em sua casa. Nestas situações uma pessoa inquieta-se e não sabe o que oferecer a um homem. Perante isto, o meu cérebro começou logo a trabalhar e chegou a uma ideia engraçada. Fazer um semifrio de café com chocolate e uma mensagem de parabéns bem catita no topo. Da última vez que fiz o jantar para os meus amigos, ele ficou a agradecer-me e a elogiar o meu prato durante uma semana, por isso acho que vai gostar da surpresa e a minha carteira não se ressente ;)
quarta-feira, 11 de junho de 2014
Sobre os últimos acontecimentos/entrevistas
O mundo é cheio de contradições. Para alguns seria um "crime" admitir-me como empregada de escritório. Para outros eu estava bem enquanto Assistente Domiciliar. E há ainda os restantes para quem o facto de continuar desempregada "descriminaliza" as opções anteriores ou então devia fazer como as pessoas sensatas e pôr-me daqui para fora.
(e cada vez esta última alternativa faz sentido. Uma opção a ganhar força enquanto a minha vida está suspensa).
terça-feira, 10 de junho de 2014
Hoje era o nosso dia
Tenho sonhado contigo, embora não me consiga lembrar dos sonhos. Faltam às minhas manhãs as tuas mensagens de bom dia. Têm acontecido novidades, mas já não tenho a quem contá-las. Tenho pensado em ti, em nós. Os meus fins-de-semana já não são o mesmo. O almoço de Sábado, antes na tua companhia, é agora passado numa sala de aula. Já não recebes as minhas mensagens de boa noite. Costumo passar pelo teu nome na lista de contactos do telemóvel, não sei se para ligar ou para mandar uma mensagem, mas o orgulho fala mais alto.
Hoje era o nosso dia.
quinta-feira, 5 de junho de 2014
Vontade cada vez maior...
... de ter uma página em branco e começar tudo de novo, num sítio qualquer, onde não conhecesse ninguém. Preciso de renovar-me.
terça-feira, 3 de junho de 2014
Saudade
Sinto falta de ter uma embalagem de Pringles no colo, instalar-me no sofá e desfrutar de um filme numa tarde/noite de fim-de-semana. Seria de esperar que, estando desempregada, tivesse à disposição todo o tempo para isto, mas não.
Quando a semana é passada a trabalhar, estes momentos de preguiça são ansiados e apreciados, mas como agora, em que não tenho uma ocupação laboral, sentir-me-ia uma inútil que chegara ao fundo do poço.
E mesmo assim, ficar feliz
Não tenho qualquer pejo em dizer que não tenho nada contra as cunhas (ser-se a favor é diferente). Na minha opinião é apenas uma porta que se abre, permanecermos lá é connosco e cabe-nos fazer ver aos restantes que merecemos aquele lugar.
Isto para dizer que uma conhecida vai começar a trabalhar num banco de renome. A minha primeira reacção foi ficar surpreendida porque achei estranho que estivessem a recrutar pessoal. Mas afinal o factor C estava envolvido.
E fico feliz pela pessoa em questão. Sei que se irá esforçar, apenas precisava de uma oportunidade para demonstrar as suas capacidades num emprego para o qual estudou durante anos.
Era bom que todos pudéssemos ter os contactos certos, era bom que todos pudéssemos ter esta sorte.
Era bom que todos pudéssemos ter os contactos certos, era bom que todos pudéssemos ter esta sorte.
Desproporcionalidades
Somos 142 (!) candidatos para uma única função. Tendo em conta a quantidade de pessoas e a elevada probabilidade de o posto de trabalho já estar destinado, o desânimo é maior que a vontade de fazer a prova de conhecimentos.
quinta-feira, 29 de maio de 2014
Como esconder a minha estupefacção?
Ultimamente têm feito grande alarido em torno de um programa que visa inserir jovens até os 25 anos no mercado de trabalho ou em formação. O objectivo é tirá-los, temporariamente, das estatísticas do desemprego. Ontem, uma das dessas técnicas disse-me, muito tranquilamente, que não se trata de emprego nem de um estágio.
A sério? É assim que se pretende motivar as pessoas e pedir para que guardem grandes expectativas sobre isto?!
domingo, 25 de maio de 2014
Até onde vão os nossos limites?
Já perdi a esperança de encontrar trabalho na minha área nos próximos dez anos em Portugal (ou o tempo que levar para se deixar de falar em crise). Posto isto, abri o meu leque de opções e candidato-me a praticamente qualquer coisa. Cafés, lojas, armazém, etc. Não são trabalhos de sonho, não é para isso que continuo a estudar, mas manter-me-ia ocupada.
Já fui alvo de olhares cheios de pena por candidatar-me a este tipo de empregos. Mas, para outras pessoas isto não parece ser suficiente e sugeriram-me que considerasse um trabalho de assistente domiciliar. Tenho o mais profundo respeito pela profissão e por quem a desempenha. Durante anos vivi com a minha avó, que estava acamada, e sei demasiado bem em que consiste a função.
Não é por ser licenciada, mas também, teria de estar muito desesperada para fazer este tipo de trabalho. Estaria antes a limpar sanitas de um centro comercial qualquer.
Durante o meu trajecto enquanto desempregada tenho levado umas quantas pancadas, mas esta, esta destruiu uma parte de mim. Senti-me humilhada ao me proporem esta alternativa e pergunto-me se é isto que Portugal tem para dar a uma jovem licenciada, com formações, estágios e uma pós-graduação.
segunda-feira, 19 de maio de 2014
Coisas que se ponderam na hora de aceitar um emprego
Ao contrário do que possa parecer, aceitar um emprego é muito mais difícil do que se imagina. Ora, tendo em conta que empregos na minha área de formação estão fora do horizonte, restam ofertas em lojas, padarias e afins. Nada contra estes trabalhos, pelo contrário.
Vejamos, actualmente estou a receber subsídio de desemprego, mas continuo à procura de trabalho. O triste nesta situação é que compensa mais estar em casa sem fazer nenhum do que ir trabalhar (quando exteriorizo este tipo de coisas começo a ver quão fundo cheguei...). Exemplos de coisas que desencorajam:
- os 50km (ida e volta) que se tem de fazer até o local de trabalho (é única a cidade onde ainda vão aparecendo algumas vagas);
- o custo do combustível, tendo em conta que o meu carro é a gasolina;
- o custo do estacionamento;
- o custo de arrendar um quarto, caso opte por encostar o carro a um lado.
- o custo do transporte público, no seguimento da anterior.
O salário que auferiria nem chegaria aos 500 euros, com descontos ficar-me-ia pelos 400. Independentemente da escolha que fizesse, pelo menos 200 euros iriam para alguma das opções acima apresentadas. Pelo que este montante teria de ser suficiente para a minha alimentação, telemóvel, higiene e seria tudo. Como se pode viver assim?
quarta-feira, 14 de maio de 2014
Parecem cogumelos
Tenho umas seis versões diferentes do meu currículo. Num mundo ideal apenas uma seria suficiente e poderia enviar a mesma para qualquer recrutador. Mas como no mundo do desemprego há tudo menos idealizações, tenho meia dúzia de currículos que não me servem de nada (o desânimo a falar mais alto).
E em que é que estes currículos se diferenciam? Na progressiva omissão de qualificações. Actualmente o campo de ofertas a que me candidato é total (excepto limpezas, mas já faltou mais...), pelo que percebi que formações e cursos complementares deixam de ter utilidade.
Haverá algo mais devastador do que ter de apagar os últimos quatro anos da minha vida, em que os passei a estudar, e inventar uma vida paralela para ter a mínima hipótese de conseguir um trabalho?
domingo, 11 de maio de 2014
O (des)alento que me dão
Aquando do meu estágio profissional ganhava mensalmente pouco mais de 600€, o que me deixava com menos 100€ depois dos descontos.
Embora este valor já tenha sido quase o dobro há uns anos atrás, não estava insatisfeita com o montante. Não tendo despesas com alojamento, o dinheiro dava perfeitamente para o combustível, telemóvel, comida, outras despesas e ainda conseguia poupar.
Se acho que deve ser este o salário para um licenciado? Não, não acho. Talvez para quem se esteja a iniciar no mercado de trabalho seja suficiente, mas não é possível fazer uma vida, constituir família e projectar planos para o futuro com 500€ por mês.
O maior problema, a minha revolta e a minha humilhação é que me sugiram (e me tentem dar esperanças) para um Programa Ocupacional. É mais uma fonte de trabalho para as instituições e faria o trabalho de uma pessoa licenciada, com a variante de ganhar (depois dos descontos) 370€ por mês.
É assustador o entusiasmo com que me apresentam esta possibilidade (porque não é com eles...) e eu já assumi a minha posição: não vou aceitar. Rejeito esta opção porque o meu conhecimento e o meu trabalho valem mais que isto. Não me vou deixar contagiar pelo espírito de submissão e de conformidade perante estas condições. Há que saber estabelecer limites e nem pensar que "é melhor isso que nada".
sexta-feira, 9 de maio de 2014
Anúncios manhosos I
Há uns tempos atrás tinha respondido a uma oferta para a função de secretária/administrativa para uma companhia de seguros (não sei qual, pois não era não referido no anúncio). Submeto o CV e uns dias depois recebo um e-mail do suposto recrutador a solicitar uma fotografia minha de corpo inteiro e a perguntar se estaria à vontade para usar decote no trabalho.
Aquilo foi tão inesperado, tão sem sentido. Fiquei de tal maneira revoltada com aquilo que dei uma resposta à altura.
Não faço ideia se era alguém apenas a gozar ou se se tratava mesmo de um anúncio e a esta hora está uma menina jeitosa a exibir os seus atributos aos clientes de uma seguradora deste país. Mas é por esta e por outras que vou perdendo a vontade de olhar para os anúncios de emprego.
quinta-feira, 8 de maio de 2014
Manter-se ocupado quando se está desocupado
Enquanto realizei o meu estágio profissional estava ocupada entre as 9h e as 17h. Durante todo esse período o meu horário pós-laboral dividiu-se entre muitas idas à praia, natação, mais trabalho, leituras, namoro, os amigos e cozinhados. Como a semana era passada num frenesim, apreciava o fim-de-semana no sossego do lar, a actualizar filmes e séries.
Com o final do estágio veio o desemprego e o tempo livre a mais. Surgiu a oportunidade de realizar uma pós-graduação, opção que abracei de imediato. Apesar de ser numa área interessante e dar-me a oportunidade de estabelecer um novo grupo de colegas, as aulas somente me ocupam o final da 6ª feira e o Sábado. Ora, para uma pessoa que estava habituada a estar constantemente ocupada, isto não é suficiente.
Entretanto, estou desempregada há quatro meses e os efeitos do dolce fare niente já são por demais evidentes: a leitura (a minha paixão!) está relegada, perdi o prazer em passar um par de horas a ler, sinto-me inútil por não fazer nada produtivo. De igual modo, a natação, que me ajudava a desanuviar a cabeça, já não me suscita interesse. Ver um filme está fora de questão, fico aborrecida e, entre pausas, sou capaz de levar mais uma meia hora para vê-lo todo. A criatividade para os cozinhados diminuiu drasticamente e faço comida porque tem de ser. O calor do Verão já despertou e, apesar disso, não sinto vontade de ir à praia.
Em compensação a este meu desinteresse por aquilo que outrora gostava, tenho-me dedicado aos trabalhos do curso. Sei que preciso de fazer mais por mim, para distrair-me, mas quando se vive no campo, as despesas com o combustível falam mais alto. Reconheço que é importante ter a cabeça noutro sítio que não o desemprego, mas eu não quero passatempos, quero um trabalho.
quarta-feira, 7 de maio de 2014
O post inaugural
Depois de algumas tentativas falhadas em manter um blogue, decidi criar mais um (o definitivo, espero eu). E porquê? O que distingue este dos anteriores? Talvez seja a fase da minha vida em que me encontro: a (des)esperar na procura de um emprego e a direccionar as minhas poupanças numa pós-graduação (que embora goste), sei que, tal como o país está, não me vai dar trabalho.
As aventuras que tenho tido na saga de um emprego são demasiado hilariantes e surreais como para ficarem só para mim, pelo que passarei a partilhá-las aqui na esperança de um dia relê-las e rir-me.
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